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Alyne, eu reintero minha indicação do filme O Leitor. Vale MUITO a penas assistir. Sobre O Amor Está no Ar, eu comparei com Amelie Poulain, mas, pelo amor de Deus, não vá assistir pensando que você vai ver um filme a altura de Amelie xD Eu só me lembrei por conta de alguns temperos que, me parece, que é comum em filmes franceses =D E, sim, filmes com Kate Winslet são sempre muito bons!
Bom, começando a ladainha do dia...
Eu amo competições. Toda vez que meu corpo capta o som da palavra "competição" dá-se início a uma série de eventos bioquímicos no meu organismo, o que me deixa pronto p guerra. Bom, PRONTO eu não sei, mas com muita vontade de entrar na guerra, hehehehehe! Se vou me estabacar ou não, isso já é outra história, hauhuahuahu! A busca pela vitória me fascina. A superação dos limites, a descoberta de uma força sobrenatural no momento que o indivíduo tá todo ferrado mas só consegue enxergar o objetivo me arrepia profundamente. Ai existem teorias que explicam esse fenômeno que ocorre com milhões e milhões de pessoas, algumas falando de complexo de inferioridade, necessidade de se mostrar melhor, bla, bla, bla. Não estou querendo ridizularizar nada aqui, até acredito em algumas delas, outras acho um pouco esquisitas. Mas, pouco me importa. Até o momento, do modo que eu enxergo a vida, isso sempre me trouxe muitos benefícios. E eu gosto desse meu jeito de ser =)
Bom, mas não vim aqui sentar num divã p falar da meu "eu". Eu falei em competição pq, após ler um texto (http://esporte.ig.com.br/grandepremio/formula1/2010/07/23/coluna+warm+up+dez+anos+depois+9546086.html) sobre uma análise dos 10 anos do piloto Rubens Barrichello (pé de chinelo, como alguns chatos gostam de complementar), me veio em mente todo esse assunto.
Bicho, eu não sei pq mas, na minha humilde opinião, o automobilismo é o ramo de esportes que mais transpira competição. É adrenalina a mais de 300 Km/h (algumas categorias). O tempo inteiro buscando derrubar cada centésimo de segundo, cada milésimo, para conseguir estar na frente dos adversários. É velocidade O TEMPO INTEIRO. O cronômetro é o maior inimigo dos adoradores desses esportes. E de todas as categorias, a que eu realmente amo é a F1 (Na verdade não costumo assistir a outras categorias. E eu sei que muitas pessoas chatas vão ficar dizendo que p ser fã de automobilismo tem que gostar de todas as categorias, saber todos os pilotos, saber todas as datas dos GPs, todas as equipes e saber como funcionam todos os carros em todos os aspectos, inclusive os segredos e, para piorar, de todos os anos, desde a primeira corrida de carruagem romana (aquelas carruagens que tinham uma túia de armas). Não, eu só acompanho a F1 e mesmo assim me considero vidrado em automobilismo. E sabe pq? Pq eu amo velocidade, por diversos motivos. E isso já basta. Além disso, também não sou nenhum estudioso da história da F1 p me lembrar de quantas saídas da pista Juan Manuel Fangio sofreu na sua carreira, o que essa gente chata acha q p ser fã tem q saber. Sem contar que também não me satisfaço com qualquer corrida chata, ou carrossel, que passa na TV (vide GPs de Mônaco, com raras exceções). Quando a corrida parece um enorme carrossel, eu DURMO mesmo. Afinal, é Domingo de manhã, e Domingo de manhã é hora de estar na cama =) Desabafo contra xiitas do automobilismo feito...). Na F1, as corridas ocorrem com intervalos de 1, 2 ou no máximo 3 semanas. Porém, o momento da corrida é só o desfecho de semanas de trabalho duríssimo. No sábado tem o treino classificatório. Na sexta, treinos livres. Antes disso, testes e mais testes. Desenvolvimento e mais desenvolvimento. E tudo isso, correndo contra o relógio. Engenheiros, pilotos e um monte de macho, todos queimando a mufa p fazer o carro mais rápido. E no domingo, é hora do piloto dar a alma e, muitas vezes, tirar leite de pedra (vide Kubica com a Renault). São quilos perdidos em no máximo 2 horas de corrida. Batimentos cardíacos oscilando na casa das 180 BPM. Já assistiram ao GP de Cingapura, o qual é de noite? Já viram a cara do piloto através da cãmera que fica no cockpit, a qual fica visível pq não existe a luz solar que impede que os olhos do mesmo sejam vistos através da viseira? Já viram os olhos esbugalhados? Pois é. Adrenalina pura! E na hora que o piloto se encontra com 2 opções: ultrapassar ou ultrapassar? Nessas horas, é colocar a faca nos dentes (vide Alonso) e ir p cima, forçando todo o carro (e o próprio corpo) ao máximo, comendo zebra e explorando os mínimos espaços que existirem (e não interessa se terminou em merda, como recentemente entre Webber e Vettel, ISSO É LINDO do mesmo jeito), sabendo que um erro simples por ser fatal. Pode ser impressão só minha, mas é por essas e muitas outras coisas que considero o automobilismo o esporte que mais transpira competição. Mas, ao ler o texto, não foi bem isso o principal assunto que me veio em mente. Mas sim uma pessoa que é motivo de piada para muitos mas que, para mim, é um ídolo (óbvio, foi o assunto da coluna em questão xD).
Quando Ayrton Senna era vivo, eu era muito novo e não me lembro de praticamente nada. Eu lembro que eu sabia sim que ele existia e que corria num carro vermelho e branco (até 93), isso pq meu pai sempre assistiu e eu me lembro de algumas vezes vendo alguma coisa com ele. O mórbido é que a única lembrança clara que eu tenho é do anúncio da morte do piloto nos jornais xD Depois disso, nunca mais acompanhei nada. Voltei a acompanhar, mas bem de leve, em meados de 97, 98 ou 99. Se bem me lembro, Rubinho corria pela Stewart (não sei se em 97 ele corria pela Stewart ou ainda pela Jordan) e "os caras" da vez eram Mika Hakkinen, Michael Schumarcher (ainda não era a lenda, mas já havia sido campeão e figurava entre os melhores, brigando sempre pelo título), Jacques Villeneuve, Eddie Irvine e David Coulthard. Esses são os que eu me lembro. Eu ainda me lembro das vezes que Rubinho quase alcançou o pódio, depois de anos no vácuo. Uma que ficou muito bem marcada foi uma corrida no Brasil, ainda pela medíocre Stewart (acredito que em 99), que Rubinho passou grande parte da corrida entre os 3 primeiros, chegando a ser o líder, mas quebrando antes de cruzar a linha de chegada. Eu me lembro que estava na casa da minha avó nesse dia assistindo a corrida com meus tios e primos. Ô decepção... eu iria ver, pela primeira vez me lembrando claramente, um brasileiro subindo ao pódio. Eu tinha té um carrinho de F1 (parecia de F1) pequenininho de metal que, por ser branco, eu dizia que era a Stewart de Rubinho, heuehuheuh! Ai, em 2000, veio a grande notícia: RUBINHO NA FERRARI. E eu pensei: "Kct, agora vai!". O que eu não sabia, pela minha ingenuidade na época, era que na Ferrari existia uma política de Dom Quixote e Sancho Pança, seu fiel escudeiro. Durante toda o tempo da passagem de Rubinho pela Ferrari, o coitado ficou de co-piloto de Schumarcher, sendo o ponto máximo dessa incrível parceria o GP da Áustria em 2002 no qual Rubinho liderava a prova e o alemão era o segundo e,na reta final da última volta, o brasileiro deixa Schumy ultrapassá-lo, por conta de ordens superiores. 2005 foi o seu último ano na Ferrari, indo para a Honda em 2006, dando o lugar a Felipe Massa na equipe. Em 2009, correndo pela Brawn, novamente se encontra com Ros Brawn e, por ironia ou não do destino, novamente fica como segundo piloto, trabalhando para Button. Em 2010, voltando ao cenário medíocre da F1, Rubens pilota pela Williams.
Mas, vocês devem estar se perguntando, pq sou ídolo de um cara que, ao escrever sobre ele, esculhambei tanto. Esperem, eu não escrevi a trajetória de Rubinho nesses 10 anos visto pelo ângulo que deveria ser visto por todos os brasileiros.
Rubinho não é um cara louco. Não é um daqueles pilotos que fazem loucuras para conseguir ultrapassagens. Ele não é um piloto realmente rápido. Mas, olhemos da seguinte forma:
Iníciou na categoria em 93. Até 99 andou em equipes médias, as quais, uma vez ou outra perdida rendia um pódio ou uma quase vitória. Só em 2000, 7 anos após a sua estréia, entrou para uma equipe que daria ao piloto reais chances de vencer. A Ferrari era claramente toda voltada para Schumarcher, sobrando para o brasileiro só o resto, o suficiente para poder defender o alemão e levá-lo aos títulos alcançados nessa fase hegemônica. Em 2006 entrou na Honda, iniciando o trabalho ao lado de Jenson Button. Até 2008 foi só dor-de-cabeça. E muita dor-de-cabeça. De repente, no fim de 2008, a Honda anuncia o abandono da categoria. Todos os outros pilotos conseguiram renovar com suas antigas equipes, outros conseguiram contratos com novas equipes e Rubinho nada. Estava sem equipe, ao lado de Button. Rubinho estava desempregado. Os 15 anos de experiência em F1 pareciam estar encerrando ali. Daí que começou a minha admiração pelo piloto. Rubinho se humilhou frente às equipes. E muitas delas, ruins. Topava salários baixíssimos (comparados aos pilotos que estavam na ponta), topava qualquer coisa p poder continuar a correr. Cara, foi ai que eu vi que ele realmente ama correr como pouquíssimos! Ele fez de tudo para continuar na categoria! Até aceitar o convite de uma equipe inciante, a Brawn GP, ele aceitou. E foi ai que foi dada a volta por cima. Com a liderança de um gênio chamado Ros Brawn, Rubinho e Button foram a sensação da temporada. Enquanto as grandes equipes se embananavam para se adaptar às novas regras da F1, a Brawn GP disparava na frente, sendo pertubada só no final, e de leve, pelas RBRs, as quais apontavam para uma temporada de 2010 fantástica. E lá estava Rubens outra vez, vencendo! Ok, ficou mais uma vez como segundo piloto, mas sair do desemprego para quase alcançar um vice-campeonato, perdendo o vice só no final do campeonato, não é coisa de perdedor. E esse ano Rubens pilota por uma equipe que há alguns anos atrás foi considerada o sonho de muitos pilotos mas, hoje, é apenas uma equipe mediana: a Williams. E mesmo obtendo sempre resultados ou ruins e médios, lá está ele, dando tudo de si, se empenhando ao máximo junto com sua equipe, sempre otimista (muito!) e fazendo aquilo que mais ama na vida: correr. Cara, um piloto que já tem quase 20 anos de carreira (é o piloto com maior número de GPs nas costas), passou boa parte da vida em equipes médias, chegou em um equipe de ponta mas foi colocado como segundo piloto, voltou para a mediocridade, sempre foi motivo de chacota de Brasil inteiro e se humilhou (essa é a palavra) diante de equipes de fundo de grid para poder continuar correndo e continuar buscando o tão sonhado título mundial, para mim, não deve receber nenhuma outra denominação a não ser "vencedor". Como Frank Williams uma vez declarou, ao começar os trabalhos com Rubinho, não sei como esse cara nunca foi campeão, pq ele é MUITO BOM! A experiência que possui para construir o carro, para pilotar... o cara SABE o que tá fazendo mais do que ninguém. E, mesmo depois de tudo isso, é claro no rosto dele a felicidade incrível que ele sente ao fazer aquilo, quase como uma criança num parquinho de areia.
Um momento extremamente marcante, com certeza na carreira dele, mas na minha vida como fã da F1 foi o GP da Alemanha de 2000.
Nesse domingo, eu estava dormindo no momento da corrida. De repente, meu pai me chama na cama e liga a TV. Ao som do zunido dos carros, ouço a voz do meu pai me falando que Rubinho tava em 1º, Schumarcher tinha abandonado a prova, tava chuvendo bastante e faltava pouco menos de 20 voltas para o fim da corrida. Na hora eu dei um pulo da cama. A partir daí foi só emoção. Chuva do kct, todo mundo parando p colocar pneus para chuva pq não iriam conseguir levar o carro até o fim na situação que tava, e Rubinho disparando na frente, pois deu na telha de não parar. A cada curva o coração acelerava, pois eu sabia do enorme risco de pilotar com pneus para pista seca na chuva que tava. A equipe achava que Rubinho havia enlouquecido, pois ele se negou a parar. Nesse momento, imagino que tudo o que se passava pela cabeça dele era simples mente: "Vencer!". Não importava como, mas ele iria vencer. Os riscos eram enormes, mas não importava, pois estava CERTO que ele iria vencer. As consequencias de um erro poderiam ser graves? Dane-se, ele iria vencer. E VENCEU. A primeira vitória na Fórmula 1. Até a última curva eu estive gelado. Depois foi só curtir o hino da vitória. O chora compulsivo de Rubinho no pódio mostrou tudo sobre ele. Mostrou a verdadeira PAIXÃO pelo que faz, que POUQUÍSSIMOS tem. Ele quer correr, não importa como. Isso sim é vencer. Ele pode nunca ter sido campeão de F1, mas para mim ele é o maior vencedor de toda a história da categoria.
Eu peço desculpas pelo enorme texto, mas ao ler a coluna citada acima me emocionei bastante, por isso senti vontade de compartilhar essa paixão aqui no meu blog.
Só espero que pessoas chatas não venham dizer "vc tem q admirar pessoas como Chico Xavier, Madre Tereza, Gandhi, Jesus, Lula...". Acredito que eu não seja proibido d admirar diversas pessoas, cada uma por um motivo diferente. E, apesar de não ter vindo na pobreza e de não ter que ficar comendo papel, pedaço de peda e caçoo moto para alcançar o patamar que alcançou, acredito que essa figura é um exemplo de perseverança pela vitória e paixão pelo que faz que todos poderíamos ter. Claro, existem exemplos até mais incríveis, como Machado de Assis, cuja história de vida sou fã, mas, por favor, não inventem de dar sermão aqui ¬¬
Enfim, acho que vocês entenderam o objetivo desse post =)
Até o próximo post e um abraço a todos!
P.S.: Emoção maior do que o GP da Alemanha de 2000 foi o GP de Interlagos de 2008, quando Massa era campeão até a última curva (LITERALMENTE), quando Hamilton conseguiu a ultrapassagem em cima de Timo Glock, o suficiente para levar o caneco p casa. Essa eu estava tremendo, gelado, coração a 250 BPM e com as mãos em forma de conchinha no nariz (não sei se consegui expressar direito como minhas mãos estavam nesse momento xD) e só conseguia dizer algo parecida com "vai vai vai vai segura kct segura segura segura kct kct" até hamilton acabar com a festa.
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